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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Carregado de "Casa às Costas"


Trabalho, trabalho. Este pode ser o lema do Carregado, um dos últimos clubes a entrar na Liga de Honra. A maioria do plantel é semiprofissional, os jogadores não ganham mais de 700 euros por mês. E o estádio é emprestado.

É uma espécie de extraterrestre. O Carregado, vencedor da Série D da 2.ª Divisão da época passada, eliminado da subida à Liga de Honra pelo Fátima, foi dos últimos convidados a participar nos campeonatos profissionais.

No parque de estacionamento, não há automóveis de luxo. A palavra não entra no emblema do concelho de Alenquer. Há quatro anos, andava pela 3.ª Divisão. Agora, está a um escalão do topo, mas a filosofia mantém-se: não há craques. "O segredo está na família e na mística. Há jogadores aqui desde a 3.ª Divisão", refere Ramiro Rodrigues, presidente.

O Campo José Lacerda Pinto Barreiros foi chumbado pela Federação, devido às dimensões do relvado. O clube joga no Cartaxo, a 30 quilómetros. Alenquer não tem um estádio. Para o ano, vai ser bem pior. O dirigente não esconde a mágoa.

"O campo está em tribunal e os senhorios querem-no de volta. O processo dura há quatro anos", afirma, ao JN, Ramiro Rodrigues, presidente há dez. Empresário no ramo dos combustíveis, trouxe o clube dos distritais à Liga de Honra. "Para o ano, podemos não ter onde jogar ou ir para Rio Maior, Óbidos ou até para o Estádio Nacional. O tempo escasseia", lamenta o responsável: "Entristece-me. Andamos com a casa às costas. Não é fácil para os sócios e patrocinadores".

Os últimos dias de Julho foram de madrugadas sem dormir, a preparar a burocracia para inscrever o plantel. Do Benfica vieram quatro jogadores cedidos: Miguel Rosa, André Soares, Ivan Santos e Adriano Silva. Com os cumprimentos de Luís Filipe Vieira, presidente encarnado e amigo de Ramiro Rodrigues.

O orçamento é de 300 mil euros, o mais baixo dos campeonatos profissionais. O clube não quer entrar em incumprimento e paga o que pode: "Não podemos pagar quatro ou cinco mil euros por mês. Um jogador ganha aqui, no máximo, 700 euros. Temos aqui jogadores com 500, 400 e até 300 euros", adianta Ramiro Rodrigues.

Dos 24 jogadores do plantel, 13 não são profissionais. Uns trabalham, outros estudam. Sérgio Nunes, 27 anos, está no clube há seis temporadas e subiu da 3.ª à Honra. É bancário em Moscavide e diz não ser fácil conciliar o futebol com o resto. "Os treinos e os jogos são mais exigentes. É preciso descansar mais", refere o central, que chegou a equacionar o profissionalismo, mas não compensava.

O problema está nos jogos a meio da semana. "Teria de pôr um dia de férias", explica Sérgio Nunes, mas sem mágoa: "Quem corre por gosto, não cansa...".

Fote: Jornal de Notícias (jn.sapo.pt)

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